Muitas eram as expectativas quando ela passou no concurso público. Dar aulas era o reflexo dos anos alimentados no ensino superior, em busca do diploma que abriria as portas para sua profissão.
Sabia que a tarefa de conduzir um grupo de alunos não seria fácil. Mas sentia-se motivada quando assumiu uma classe em uma unidade escolar em uma cidade da Região do Polo Textil, em fevereiro de 2010. Em poucos meses, no entanto, viu sua euforia diluir-se. Alunos desrespeitosos tumultuavam sua capacidade de produção. Com um deles se desentendeu.
O caso chegou ao conhecimento da mãe, que não teve dúvidas quanto à inocência do filho e transformou a professora em alvo de perseguição: de faca em punhos, passou a circular o quarteirão da escola, na tentativa de cruzar o caminho da jovem que ousou desagradar seu filho.
A experiência trouxe sequelas à professora. Tremores que surgem cada vez que ela toca no assunto. A história chegou ao conhecimento da polícia, através de boletim de ocorrência, mas a professora continuou intimidada e pediu transferência.
Guardadas as devidas doses de ficção, o caso é real e foi relatado por uma funcionária da escola. Ele surge num momento em que se discute a influência das palmadas na educação das crianças e o quanto a ação pode transformá-las em adultos agressivos e problemáticos. A proposta de proibir o castigo físico para crianças consta em um projeto de lei, que aguarda votação no Congresso Nacional.
Mas como será possível fiscalizar a ação que ocorre dentro de casa se aquela que acontece visivelmente pelas ruas não é bloqueada?
A violência faz parte do cotidiano. Está presente no mundo real e virtual. E é comum ver crianças recorrerem a ela quando carecem de atenção. Os pais nem sempre percebem que a indiferença velada pode ser mais prejudicial que algumas palmadas. Ainda assim, se armam quando um terceiro resolve fazer o papel que compete a eles.
Pela legislação, os professores também podem ser punidos se agredirem um aluno. Mas qual a punição para a mãe que dá provas a seu filho de que a violência é a forma ideal de solucionar problemas? Afinal, a transferência da professora deixou claro que as ameaças surtiram efeito.
É evidente que os pais precisam proteger seus filhos. Mas devem protegê-los emocionalmente. É preciso paciência para educar e perseverança para fazer com que o diálogo seja constante. Pequenas atitudes que contribuem para que os alunos cheguem mais dispostos e tolerantes às salas de aulas. E que reduzem o ônus com professores afastados por depressão e pânico.
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