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24.7.2010 - 11:19
Primeiro as prioridades
Arthur Trevisoni

Semana passada, aqui nesse mesmo espaço, me reportei à cidade de Hortolândia para tocar num assunto que, para muitos, era desconhecido. Na ocasião, fiz comentários em cima da matéria escrita pela repórter Cristiane Bomfim que mostrava uma espécie de "acordo de cavalheiros" entre a Câmara e a Prefeitura daquele município. Como o Executivo tomou para si a responsabilidade de construir o novo prédio do Legislativo, os vereadores decidiram esquecer na gaveta o projeto de resolução que colocaria em discussão o parecer do TCE (Tribunal de Contas do Estado) - desfavorável, é verdade - em relação às contas do prefeito Ângelo Perugini (PT).

Pois bem, nesta semana volto a falar sobre outro assunto envolvendo Hortolândia e o prefeito petista, político que pude entrevistar logo após a sua primeira vitória nas urnas da cidade, isso em 2004. Cristiane, recém-chegada a nossa redação, foi a primeira a trazer à tona o projeto de lei que Perugini encaminhou à Câmara com pedido de urgência - o câncer do Legislativo, pode-se dizer assim - no qual permite que a Prefeitura faça um empréstimo internacional no valor de US$ 22 milhões (isso mesmo!!) para "importantes obras de infraestrutura no município".

Entre as obras elencadas pelo administrador público aparece a construção de uma réplica da Ponte Estaiada, ou Ponte Octávio Frias de Oliveira, como queiram, em São Paulo. E mais, com recursos do Governo Federal, Perugini tem em mente a construção de duas lagoas embaixo da ponte. Seriam elas réplicas do Piscinão de Ramos?

Hortolândia é uma cidade nova, em desenvolvimento acelerado, é verdade. Grandes empresas estão se instalando no município, o que tem gerado um volume cada vez maior de recursos próprios e repasses estaduais. Ao mesmo tempo, entretanto, é uma cidade que sofre - assim como outras da nossa região - com a falta de saneamento básico em vários bairros, asfalto, postos de saúde e por aí vai. O que deve estar passando na cabeça do morador que, em dias de chuva, briga contra o barro para ir ao trabalho?

Sabe aquele que tem que descer do ônibus cerca de um quilômetro de casa porque o transporte público não chega onde deveria, o que deve estar pensando? O que deve estar pensando aquele cidadão que está sonolento neste momento porque passou a madrugada no hospital com o filho e a demora pelo atendimento consumiu muitas horas de sono? Pois é senhor prefeito, primeiro as prioridades. Por favor.

 
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